domingo, 12 de junho de 2011

Cine Futuro - VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual



Mais CINEMA em Salvador!!!

Acontece entre os dias 25 a 30 de Julho o Cine Futuro - VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual, evento importante para os profissionais e amantes do cinema. O Cine Futuro acontecerá no Teatro Castro Alves, ICBA e Aliança Francesa.

O seminário conta com mesas redondas, diálogos, cursos, workshops, mostras (Retrospectiva Bernardo Bertolucci, Mostra Sandrine Bonnaire, Mostra de Longas Internacionais, Mostra Competitiva de Curtas Metragens, Mostra Amor à Francesa, Mostra de Curtas Metragens, Mosta de Animação Francesa).

Mais de 70 filmes serão exibidos, o evento é uma oportunidade excelente para assistir filmes que raramente são exibidos em salas comerciais. Destaque para o homenageado da edição, o cineasta italiano Bernardo Bertolucci - com um Diálogo sobre a sua trajetória e uma Mostra Retrospectiva. Espaço também para o lançamento de projetos baianos, como a avant-première do filme O Homem que Não Dormia (Brasil,2011) de Edgard Navarro, dia 29/07 às 20:30 no TCA.

As inscrições para o Cine Futuro estão abertas. Para conferir a programação, inscrições e promoções entre no site!

Interessados também podem se inscrever para trabalhar como voluntários durante o seminário.

Para notícias sobre o Cine Futuro - VII Seminário Internacional de Cinema e Audiovisual:

Twitter: @CineFuturo


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Café de Flore


Conheci o Café de Flore através da literatura - lendo a biografia incrível Tête-à-Tête (Hazel Rowley) que tem como eixo central a história da relação entre Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir para remontar o contexto do movimento existencialista na frança, o surgimento de grandes obras como O Segundo Sexo de Beauvoir e A Náusea de Sartre, seu círculo social envolvendo outros escritores e artistas como Albert Camus, Merleau-Ponty e Nelson Algren. O cenário da história é, entre outros, o bairro parisiense Saint-Germain-des-Prés e seus cafés.
Foi durante a ocupação alemã em Paris na segunda guerra que o Café de Flore começou a ser frequentado por intelectuais franceses, entre eles, Beauvoir e Sartre, já que ainda era pouco conhecido e os soldados alemães não costumavam aparecer por lá. O café tornou-se um lugar seguro para escrever, livre da censura, um local de resistência secreta, além de ser muito melhor trabalhar ao lado de várias doses de café, em especial o espresso!


"Após passar a manhã dando aula, Sartre e Beauvoir instalavam-se num café para escrever. O preferido era o Flore, no Boulevard Saint-Germain, com suas cadeiras vermelhas e seus espelhos.[...]e - envoltos em fumaça de tabaco, em meio ao tilintar das xícaras de café, ao burburinho das conversas e à distração do movimento das pessoas que iam ao banheiro ou falar ao telefone – escreviam." (ROWLEY, 2006: 156)

Além da dupla que usava o espaço do Flore para escrever, sempre acompanhados de um bom café, o lugar foi frequentado por músicos, escritores, cineastas da nouvelle vague, atores, fotógrafos e pintores. Diante do romantismo envolvendo o Flore, ele se tornou inspiração para a música, o cinema e a fotografia.
O Flore aparece no vídeo da canção 'Il n´y a plus aprés' de Juliette Gréco, cantora e atriz francesa também frequentadora do Flore, 'musa do existencialismo', uma homenagem ao bairro Saint-Germain-des-Prés


No cinema, o Café aparece como cenário no filme sobre o romance de Sartre e Beauvoir, Les Amants du Flore e é título do novo filme de Jean Marc-Vallée (de A Jovem Rainha Vitória e C.R.A.Z.Y.), Café de Flore, em pré-produção, ainda sem muitas informações.


Les Amants du Flore

O cineasta Jean-Marc Vallée na gravação de Cafe de Flore (2011)


Café de Flore


Outras referências ao Café de Flore:

Kate Moss e Gaspard Ulliel no Café de Flore, campanha da Longchamp


Emma Watson para Lâncome

Serge Jacques, Femme au Café de Flore, 1970


Dennis Stock, Café de Flore, 1958


Brassäi, Sartre au café de Flore, 1945


Brassäi, Simone de Beauvoir, Café de Flore, 1944


Brassäi, Picasso au Café de Flore, 1939

terça-feira, 31 de maio de 2011

Festival Varilux de Cinema Francês 2011


A edição 2011 do Festival Varilux de Cinema Francês 2011 acontecerá entre 08 e 16 de junho em Salvador, e exibirá 10 filmes inéditos do cinema contemporâneo Francês. A mostra que acontece simultaneamente em 22 capitais brasileiras contará com a presença das atrizes Catherine Deuneve, Audrey Tautou e Sandrine Bonnaire para o lançamento dos filmes em que atuam no Rio de Janeiro e São Paulo.
Em Salvador os filmes serão exibidos no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, a PROGRAMAÇÃO foi divulgada no site. Entre os filmes exibidos,para mim o mais esperado é Potiche: Esposa Troféu (Potiche,2010), comédia do diretor de Sob a Areia(2000), 8 mulheres (2002), Swimming Pool (2003) e O Tempo que Resta(2005) - François Ozon (que eu adoro!). O filme que tem no elenco Catherine Deuneve e Gérard Depardieu foi exibido ano passado na 34ª Mostra Internacional de São Paulo.

Também exibido na 34ª Mostra Internacional de Cinema, Copacabana (Copacabana,2010) de Marc Fitoussi, filme cheio de Bossa Nova e Samba na trilha sonora, trás Isabelle Huppert no papel de Babou, personagem que sonha com o Brasil e vive um conflito geracional com a filha, que é interpretada pela atriz Lolita Chammah, filha de Isabelle Huppert na vida real.


Fiquei curiosa também para ver Xeque Mate (Joueuse, 2009), que tem no elenco Sandrine Bonnaire, musa do diretor Claude Chabrol. A atriz será homenageada no Rio de Janeiro com uma mostra retrospectiva dos seus trabalhos. O filme é o primeiro longa da diretora Caroline Bottaro.


Para saber a lista de filmes que serão exibidos:


Para acompanhar o festival nas redes sociais:


domingo, 23 de janeiro de 2011

Inveja, culpa e rivalidade entre irmãs

O que terá acontecido com Baby Jane?
(What ever happened to Baby Jane?, 1962)
Direção: Robert Aldrich
Com: Bette Davis, Joan Crawford e Victor Buono
http://www.imdb.com/title/tt0056687/


O filme começa em 1917, com a apresentação de Baby Jane Hudson, uma famosa artista mirim do vaudeville, no estilo Shirley Temple. No palco uma menina doce e graciosa, fora dele uma criança cruel que manipula os pais e consegue concentrar em si todas as atenções, despertando raiva e ciúme em sua irmã anônima, Blanche Hudson.
Quando adulta, como muitos artistas mirins, Jane Hudson (Bette Davis) não consegue manter o sucesso e fica conhecida nos estúdios cinematográficos por sua falta de talento e seu alcoolismo. Já sua irmã Blanche Hudson (Joan Crowford) torna-se uma grande estrela do cinema, e sua participação nos filmes tem como condição a inclusão de sua irmã sem talento no elenco.
Depois de um enigmático acidente, Blanche fica paraplégica, é obrigada a abandonar as telas e fica aos cuidados da sua irmã Jane. Numa dependência mútua, Jane não tem dinheiro, vive das economias da irmã e não suporta o fato de não ter mais sucesso. As duas convivem em uma rivalidade extrema, Jane pratica uma crueldade atrás da outra com a irmã deficiente, não admite que sua irmã tenha se tornado mais famosa do que ela.
Ao longo do filme a repulsa de Jane vai se tornando mais grave, de forma gradual seus atos são cada vez mais cruéis, bem como sua sanidade cada vez mais frágil. Sem nenhuma gota de sangue, Robert Aldrich consegue transmitir para o espectador o desespero da assustada Blanche Hudson na tentativa de livrar-se da dependência da perigosa e louca irmã Jane Hudson.
O diretor constrói uma estética sombria com filmagem em preto e branco proposital e pouca iluminação, cria uma atmosfera de pesadelo. O figurino e maquiagem da delirante Jane Hudson, que foi premiado com o Oscar, ajuda a compor essa atmosfera. O que terá acontecido com Baby Jane? funciona no seu propósito de tortura psicológica, com personagens complexos que definham ao longo da história. Sem apoio financeiro de Hollywood, o filme foi rodado em 20 dias, como uma produção de classe B.
A rivalidade entre as duas não se restringia à ficção. Bette Davis alcançou o sucesso nas décadas de 30/40, quando participou de produções de grande sucesso como atriz contratada da Warner Bros., sua carreira começa a declinar na década de 50. Em um tempo que as atrizes de Hollywood simplesmente sumiam ao envelhecer, Bette Davis é convidada por Aldrich para gravar O que terá acontecido com Baby Jane? e contracenar com sua rival Joan Crawnford, atriz que também estava com a carreira em declínio. Para Bette, Crawford alcançou o sucesso de forma duvidosa, antes de aceitar o papel perguntou ao diretor a fim de prevenir de possíveis privilégios: “você já foi pra cama com Joan Crawford?”, e só aceitou a proposta depois da resposta negativa de Aldrich.
Foi assistindo aos filmes de Davis que me deparei com Baby Jane, que se tornou um dos meus filmes preferidos. Com roteiro, atuação e direção excelentes, O que terá acontecido com Baby Jane? é um “espetáculo desagradável”, no sentido de transmitir de maneira genial a tensão produzida pela inveja, culpa e rivalidade doentia entre as irmãs.